sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA

A NECESSIDADE  DA HERMENÊUTICA.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
No estudo da interpretação bíblica devemos considerar alguns aspectos importantes para uma hermenêutica adequada da Palavra de Deus. Uma das dificuldades que encontramos hoje na vida da Igreja é certamente a falta de compreensão sobre quem realmente necessita da Hermenêutica Bíblica.
Nesta aula nós iremos analisar de perto a questão da necessidade  desta disciplina na vida da igreja de Cristo. Todos nós interpretamos o mundo que nos cerca, conforme vimos na aula anterior. Pois, todos nós temos pressupostos na leitura das Escrituras.
I – QUEM PRECISA DE HERMENÊUTICA?
Esta é uma daquelas questões que não deveria ser suscitar  debates. Uma vez que todos nós, de modo ou de outro, somos intérpretes de tudo o que nos cerca. Mas, interpretar a Bíblia? Ora, por que há essa necessidade de interpretar as Escrituras? Muitos cristãos dizem que não precisam estudar hermenêutica, ou seja, julgam que não precisam dela.
Os que pensam na necessidade da disciplina hermenêutica argumentam que a Bíblia é um livro divino, e assim, “exige de nós algum treinamento especial para entendê-la”.[1], mas, tal resposta deixa-nos em uma situação paradoxal, conforme nos lembra AlonsoSchökel: “Se alguém é capaz de falar de maneira absolutamente clara e tornar-se compreensível com eficácia irresistível, esse tal é Deus; portanto, se há alguma palavra que poderia não exigir hermenêutica, essa seria a palavra divina”.[2] E, é exatamente neste lado do pêndulo que muitos se agarram, especialmente quando se conhece a doutrina protestante da perspicuidade das Escrituras [clareza das Escrituras] e dizem que em si mesmas as Escrituras são claras. E o que decorre disso é a negação da Hermenêutica Bíblica. Tal postura nega a importância da interpretação dos textos sagrados.  Osborne alerta:
A hermenêutica é importante porque capacita a pessoa a se movimentar do texto para o contexto, para que o significado inspirado por Deus na Bíblia fale hoje com uma relevância tão nova e dinâmica quanto em seu ambiente original. Além disso, pregadores ou professores devem anunciar a Palavra de Deus em vez de suas opiniões religiosas repletas de subjetividade. Só uma hermenêutica bem definida pode manter alguém atrelado ao texto.[3]
Mas, um ponto importante não é fato que as escrituras precisam ser interpretadas por causa de sua natureza divina, mas exatamente por causa do seu lado humano. As Escrituras são apropriadamente chamada “palavra divina em palavras humanas” [4] Esta necessidade interpretativa é necessária exatamente porque a linguagem humana é “equivoca”[5] A linguagem humana tem gerado muitos mal-entendidos, e por esta, razão se faz necessário o estudo da hermenêutica.
II – AS RAZÕES PARA A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA:
Consideremos neste momento as razões pelas quais se justifica a necessidade da hermenêutica.
2.1 – A Corrupção Natural do Homem:
            Um dos aspectos fundamentais para a necessidade da interpretação é a condição espiritual do homem. O homem depois da queda possui os “olhos do entendimento” entenebrecido (Efésios 4.17-18) – observemos a expressão: “entenebrecido no entendimento”[ ἐσκοτωμένοι  τῇ  διανοίᾳ- eskotômenoi tê dianoia] aponta para o fato de que a mente do homem  foi afetada pela queda. Logo, ele não consegue compreender adequadamente a Palavra de Deus. A evidência textual desta necessidade é certamente 1ª Coríntios 2.14-15 – o homem natural não pode entender as realidades espirituais.
2.2 – O Abismo Cultural:
Precisamos saber interpretar a Bíblia para superar o Abismo Cultural. A Bíblia como livro vindo da lavra humana tem perspectivas culturais significativas. Ler o livro de Gênesis e perceber fatos como no capítulo 15 - o dividir os animais ao meio - e saber que culturalmente era assim que se processava na cultura de então ao afirmar uma aliança; ajuda-nos a entender porque Deus não permitiu que o patriarca passe no meio daqueles pedaços partidos. Alguém já disse que cada “um de nós vê a realidade através dos olhos condicionados pela cultura e por uma variedade de outras experiências.”[6]
2.3 – O Problema da Língua:
A Bíblia foi escrita em outra língua que não é a nossa. As Escrituras foram redigidas em três idiomas diferentes e até desconhecido para a maioria de nós:


Estes são os principais elementos importantes para justificar a necessidade da Hermenêutica Bíblica.
III – A HERMENÊUTICA LIVRE DE PRESSUPOSTOS: É POSSÍVEL?
            A grande pergunta que precisamos fazer ao estudar o tema da necessidade da Interpretação Bíblica. É aquela que questiona: É possível interpretamos a Palavra de Deus livre de pressupostos?
            A resposta a esta indagação é negativa. Ainda que os adeptos da Escola Racionalista de Interpretação (Método Histórico-crítico) cheguem a afirmar que “a exegese bíblica deve ser praticada de modo neutro, isento de pressuposições teológicas apriorísticas”[1], entretanto, tal tese não se sustenta. Pois, as pressuposições ocupam um lugar bastante importante no processo interpretativo, o pressuposicionalismo desenvolvido por Vantil e Kyper revelam esta verdade.[2] Que pressuposições devemos ter ao nos aproximar da Bíblia para o processo de interpretação?
3.1 – A Doutrina da Revelação:
A ideia de que Deus se revela nas obras da criação é o pressuposto capital para o processo interpretativo das Escrituras (Salmos 19.1-4; Romanos 1.18-20), neste aspecto podemos dizer que a criação que uma revelação natural de Deus  o livro no qual Deus revela quem ele é como criador. Este aspecto da revelação não salva ninguém; mas, aprove a Deus revelar-se diretamente, e a assim se procedeu por meio do Seu Espírito Santo, por Revelação direta, por teofanias, por anjos, sonhos, visões, inspiração e Seu Filho Jesus(Ex. 3. 16; Sl 147. 19, 20; Hb. 1. 1,2; Gl. 1. 11, 12). Deus não é o totalmente oculto, mas é o que se revela nas obras da criação e da providência (veja-se a Confissão de Fé de Westminster Capítulo 1.1).
Levemos em consideração que a forma de Deus comunicar a obra redentora é por meio da Revelação Especial (Escritura Sagrada) conforme vemos em 1ª Timóteo 3.15 e 2ª Timóteo 3.15-16.
3.2 – A Doutrina da Inspiração Verbal e Plenária das Escrituras:
            Outro pressuposto que devemos ter antes de irmos ao processo interpretativo do texto das Escrituras; é aquele que declara ser a Bíblia plenamente soprada pelo Espírito Santo. Paulo Anglada lembra-nos que a “doutrina da inspiração é a pressuposição bibliológica fundamental da hermenêutica reformada.”[3] Esta doutrina é  o “fundamento da hermenêutica e exegese”[4] da Reforma. A própria Escritura (Evidência Interna) dá testemunho de si como inspirada por Deus (Ex. 4. 22; Jz 6. 8; Is 43. 14; ISm 15. 23; Jr. 1. 4; Mt 5. 17, 17; Jo10. 35; Hb. 3. 7ss).
3.3 – A Doutrina da Autoridade das Escrituras:
            Outro pressuposto importante é a compreensão de que as Escrituras possuem plena autoridade sobre a vida da igreja e sobre aquele que interpreta a Bíblia Sagrada. Esta doutrina é de fundamental importância para aqueles que pretendem estudar e interpretar as Escrituras Sagradas.
            Aquilo que nós compreendermos sobre a autoridade absoluta das Escrituras fará toda diferença no estudo hermenêutico das Escrituras. Packer vai nos dizer que a autoridade das Escrituras repousa na inspiração” [5]. A Bíblia guia a nossa vida e dita a forma como devemos ver e adorar a Deus naquilo que ele requer de nós. Cristo sempre apelou para as Escrituras como a um tribunal supremo. Em qualquer controvérsia ele usava a expressão “está escrito” indicando que a palavra final deve ser dada a Palavra inspirada por Deus. Vejamos isso detalhadamente em Mateus 4.4,6,710.
            Cristo ao usar a expressãoesta escrito usa a forma verbal em grego ge,graptai gégraptai e um verbo no perfeito que indica uma ação continua, significando permanece escrito, então, o Senhor Jesus esta apelando para a autoridade da Biblia como fonte autorizada da verdade
3.4 – A doutrina da Suficiência das Escrituras:
            Ao interpretarmos as Escrituras devemos considerar que elas são profundamente suficientes para a vida e piedade do crente. O lema Sola Scriptura aponta para a realidade de uma Bíblia suficiente.
            Mas, o que é essa doutrina? A resposta mais simples e clara que podemos oferecer a esta pergunta e que o Sola Scriptura ensina que a Bíblia regula a vida em sua totalidade”[6] a Confissão de fé fala-nos do quanto as Escrituras sao realmente suficientes para a igreja. Os teólogos puritanos declaram: Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela.” (CFW – capítulo 1. Seção 6) – veja-se: 2ª Tim.3.15-17.
Aqui nós temos um conceito subjacente ao Sola Scriptura [Somente a Escritura] que é o de Toda Scriptura [ Toda Escritura], também desenvolvido na reforma protestante; e, de Acordo com Fred Klooster, este ponto de vista a respeito da Escritura como “única e  completa’ (sola e tota Scriptura) é exclusivamente reformado”[7]
Então, ao interpretamos o texto sagrado devemos ir até uma Bíblia suficiente. Não estamos interpretamos um documento incompleto, imperfeito que precisa ser adicionado com outros ditos, ou com novas revelações; o estudo sério e laborioso das Escrituras se torna compensador quando pressupomos que estamos diante da vontade suficiente de Deus apresentada nas Escrituras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1.      ALONSO-SCHÖKEL, Luis. Hermenéutica de la Palavra. Madrid: Cristandad, 1986, volume 1.
2.      ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Anamindeua: Knox Publicações, 2006.
3.      BEEKE, Joel. R. Vivendo para a Glória de Deus – Uma Introdução à Fé Reformada. Tradutor: Francisco Wellignton Ferreira. São Paulo: Editora Fiel, 2010.
4.      DIAS. Cassio Murilo. Manual de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2006
5.      KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
6.      OSBORNE, Grant. R. A Espiral Hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 2009.
7.      PAKER, James I. Vocábulos de Deus. São Paulo: Fiel, 2002.
8.      SCHWERTLEY, Braian. M. Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto. Tradutor: Marcos Vasconcelos. São Paulo: Editora os Puritanos, 2000.
9.      VIRKLEY, Henry. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987.





[1] ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Anamindeua: Knox Publicações, 2006, p.18.
[2] Veja-se KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 222-223.
[3] ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à Hermenêutica Reformada. Anamindeua: Knox Publicações, 2006, p.136.
[4] Ibid, p.137.
[5] PAKER, James I. Vocábulos de Deus. São Paulo: Fiel, 2002, p. 33.
[6] SCHWERTLEY, Braian. M. Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto. Tradutor: Marcos Vasconcelos. São Paulo: Editora os Puritanos, 2001, p.1.
[7] Apud¸ BEEKE, Joel. R. Vivendo para a Glória de Deus – Uma Introdução à Fé Reformada. Tradutor: Francisco Wellignton Ferreira. São Paulo: Editora Fiel, 2010, p. 150



[1] KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 14.
[2]ALONSO-SCHÖKEL, Luis. Hermenéutica de la Palavra. Madrid: Cristandad, 1986, volume 1, p.83.
[3] OSBORNE, Grant. R. A Espiral Hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 27.
[4] DIAS. Cassio Murilo. Manual de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 11
[5] KAISER JR, Walter C.; SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 14.

[6] VIRKLEY, Henry. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987, p 12

sexta-feira, 5 de maio de 2017

História da Teologia Bíblica do Antigo Testamento (I)

 CENTRO DE ESTUDOS PRESBITERIANO
CURSO DE TEOLOGIA BÍBLICA.
AULA 01: História da Teologia Bíblica do Antigo Testamento (I)
Prof.  Rev. João Ricardo Ferreira de França

INTRODUÇÃO:

            A Teologia Bíblica é uma disciplina que hoje tem gozado de uma certa dose de descobrimento nos centros acadêmicos, temos visto o surgimento de novos teólogos bíblicos na atualidade; o nosso curso aqui vai se concentrar em compreender esta disciplina e sua atualidade na vida da igreja de hoje.
                                                                                                         
I – DEFINIÇÃO DE TEOLOGIA BÍBLICA:

Podemos definir esta disciplina como “aquele ramo da teologia exegética que lida com o processo da autorevelação de Deus registrada na Bíblia.”[1] . Outro erudito nos apresenta uma visão basilar sobre a Teologia Bíblica: A teologia bíblica é basicamente uma disciplina descritiva .[2] .

Outro escritor, sendo mais positivo, nos diz que

A Teologia Bíblica define-se basicamente a partir de sua distinção em relação à Teologia Sistemática e à História das Religiões. A proposta fundamental da Teologia Bíblica é construir uma teologia a partir das Escrituras, de modo indutivo, sem depender das categorias definidas pela Sistemática ou pela dogmática.[3].

Hasel nos lembra que “o termo ‘teologia bíblica’ tem duplo sentido: (1) pode caracterizar a teologia que está arraigada no ensinamento das Escrituras e nelas fundamentada ou (2) pode caracterizar a teologia inerente a própria Bíblia”[4]

II – A HISTÓRIA DA TEOLOGIA BÍBLICA:
            A história da Teologia Bíblica é bem complexa. Esta complexidade decorre de como a disciplina se desenvolveu dentro da história.

2. 1 – Teologia Bíblica: Uma Disciplina em Crise?
           
            Gehard F. Hasel inicia a sua obra descritiva e histórica sobre a Teologia do Antigo Testamento declarando que a mesma “encontra-se, inegavelmente, em crise”[5] e a razão para esta declaração está no fato da proliferação de obras de Teologia do Antigo Testamento que oferecem uma pluralidade temática sem chegar ao consenso. Em outras palavras para Hasel a crise da Teologia Bíblica veterotestamentária está no fato de não haver entre os teólogos um Mitte comum a todos.
            A suposta crise evocada por Hasel provém da guerra contra a unidade das Escrituras. Como bem nos lembra Kaiser: “A ênfase na diversidade dentro da Escritura é de tal modo generalizada hoje em dia que, para a maior parte dos estudiosos da Bíblia, qualquer outra perspectiva não condiz com o estado atual de desenvolvimento dessa disciplina”.[6]
            Brevard Childs apresenta-nos que a Teologia Bíblica tem os seus progressos bem como os seus fracassos em seu tom pessimista alega que o movimento de Teologia Bíblica estava chegando ao fim[7], sua obra é bem sugestiva Biblical Theology in Crisis [Teologia Bíblica em Crise] declara que pela multiplicade de centros unificadores é impossível chegar a um consenso quanto ao Mitte da Teologia Bíblica do Antigo Testamento.
            Poderíamos concordar com a proposição enunciada por Hasel, mas devemos rejeitá-la completamente, pois, a advogada crise se instala quando não se sustenta a unidade das escrituras. Vale salientar que tal crise na disciplina deve-se aos eruditos de orientação liberal[8] que não creem nas Escrituras como revelação de Deus daí a multiplicidade de ideias sobre a Teologia do Antigo Testamento. Lembremos que “A teologia bíblica lida com a revelação como sendo atividade divina, não o produto final dessa atividade. ”[9] A discussão pelo centro unificador é evidente, mas isso não legitima a ideia de que a Teologia Bíblica esteja em crise. Também devemos levar em consideração que essa “disciplina foi criada recentemente”[10] como bem nos lembra Von Rad ao dizer que trata-se de “uma ciência jovem, uma das mais jovens dentre as ciências bíblicas”.[11]e, por isso, há esse ar de incerteza quanto a mesma.

2.2 – Breve Cronologia das Principais Teologias Bíblicas:

1930-1990[12]
A Primeira Onda
1933                Ernst Sellin, Old Testament Theology on a History-of-Religion Basis Theology
1933-39          Walther Eichrodt, Theology of the Old Testament
1935                Ludwig Kohler, Old Testament Theology
1938                Wilhelm Moller and Hans Moller, Biblical Theology of the Old Testament in Its Development of Salvation History
1940                Paul Heinisch, Theology of the Old Testament
1946                Millar Burrows, An Outline of Biblical Theology
1948                Albert Gelin, The Key Concepts of the Old Testament
1948                Geerhardus Vos, Biblical Theology
A Segunda Onda
1949                Otto Baab, The Theology of the Old Testament
1949                Theodorus C. Vriezen, An Outline of Old Testament Theology
1950                Robert C. Dentan, Preface of Old Testament Theology
1950                Otto Procksch, Theology of the Old Testament
1952                George Ernest Wright, O Deus que Age
1954-56          Paul van Imschoot, Theology of the Old Testament
1955                Edmond Jacob, Theology of the Old Testament
1956                H. H. Rowley, A Fé de Israel (Em Português)
1957-61          Gerhard von Rad, Teologia do Antigo Testamento
1959                George Knight, A Christian Theology of the Old Testament
1961                James Muilenburg, The Way of Israel
1962                J. Barton Payne, The Theology of the Older Testament
1962-65          Abraham J. Heschel, Theology of Ancient Judaism
1968                Werner H. Schmidt, The Faith of the Old Testament: A History
A Terceira Onda
1970                Maximiliano Garcia Cordero, Theology of the Bible: Old Testament
1971                Chester K Lehman, Biblical Theology: Old Testament
1972                Alfons Deissler, O Anúncio Do Antigo Testamento
1972                Georg Fohrer, Estruturas Fundamentais do Antigo Testamento, Paulus, 1982
1972                Walther Zimmerli, Old Testament Theology in Outline
1974                John L. McKenzie, A Theology of the Old Testament
1976                David Hinson, Theology of the Old Testament
1978                Ronald E. Clements, Old Testament Theology: A Fresh Approach
1978                Walter C. Kaiser Jr., Teologia do Antigo Testamento
1978                Samuel L. Terrien, The Elusive Presence: Toward a New Biblical Theology
1978                Claus Westermann, Elements of Old Testament Theology (Em port.)
1979                William A. Dyrness, Themes in Old Testament Theology
1981                Elmer A. Martens, God 's Design: A Focus on Old Testament Theology
1986                Brevard S. Childs, Old Testament Theology in a Canonical Context
1986                Paul D. Hanson, The People Called: The Growth of Community in the Bible[13]
III – OS PRIMÓRDIOS DA TEOLOGIA BÍBLICA:

            Quais são os passos embrionários de uma Teologia Bíblica? Precisamos saber onde iniciou-se o estudo da Teologia Bíblica. Os eruditos datam no período da Reforma como sendo o princípio da Teologia Bíblica; entretanto, outros advogam que tenha sido no famoso discurso de J. Gabler em 1797 no qual ele faz uma nítida distinção entre a Teologia Dogmática / sistemática e a Teologia derivada do arranjo natural da Bíblia.[14]
3.1 – Da Reforma ao Iluminismo:
            O desenvolvimento do lema da Reforma Protestante “Sola Scriptura” preparou “terreno para o desenvolvimento subsequente da teologia bíblica”[15] Na verdade muitos estudiosos advogam que este princípio “lançou a semente para uma teologia exegética, buscando livrar-se da dogmática eclesiástica”.[16]mas não foram os reformadores que criaram o termo “Teologia Bíblica” e nem deram o sentido que foi aplicado posteriormente; entretanto, a abordagem exegética seguida do método histórico-gramatical, aprimorada pelos reformadores tornou-se uma força propulsora à Teologia Bíblica. Lembremos que “os comentários de Calvino são os primeiros exemplos de uma exegese bíblica histórico-gramatical, que estabelecia os primórdios da futura Teologia Bíblica”[17]
            Lutero não conseguiu desenvolveu uma Teologia Bíblica que permeasse todo o escopo da revelação divina.[18] Hasel ainda nos lembra que os primórdios de uma teologia bíblica aproximada daquilo conhecemos hoje pode ser encontrada em dois representantes da Reforma Radical[19]. Neste período a Teologia Bíblica era tida como auxiliar da “teologia dogmática” ou sistemática sendo meramente uma disciplina para os “dicta probantia”[textos provas] para os enunciados da dogmática.[20]Mas, foi no pietismo alemão que a Bíblia voltou a dominar o cenário dando um novo rumo a Teologia Bíblica[21]. Isto porque Jacob Spencer procura combater “o escolasticismo protestante munido da teologia bíblica”.[22] Sendo em 1745 o início da libertação desta disciplina em relação à Teologia Sistemática.
3.2 – O Período do Iluminismo
            Neste período houve um novo ímpeto nos estudos bíblicos. Pois, foi precisamente neste período em que a razão dominou os estudos bíblicos[23], assim, o racionalismo se levantou contra tudo aquilo que era sobrenatural e contrário a razão. Esta perspectiva dominou os estudos bíblicos. Aliado a esta proposição surgiu o novo método de interpretação conhecido como Método Histórico-Crítico.
            Este método é abrigado dentro do Liberalismo Teológico e das correntes dele derivado. A abordagem deste método é de rejeição das intervenções sobrenaturais[24] divinas conforme apresentada nas Escrituras.
            Barton nos lembra que o “criticismo histórico, também conhecido como método histórico-crítico foi dominante no estudo acadêmico da bíblia desde a metade do século dezenove até a geração passada”.[25] Hasel ressalta que neste período “A razão humana tornou-se o padrão definitivo e a fonte principal de conhecimento, isto e, a autoridade da Bíblia como registro infalível de revelação divina fora rejeitada.”[26]
            Sabemos que é a partir desta perspectiva que a Teologa Bíblica entra em crise posteriormente, pois, a pressuposição básica dos eruditos liberais é que não nada de sobrenatural, e por fim, o eixo unificador das Escrituras é abandonado. Os “liberais apontam para uma pluralidade de teologias em oposição e perguntam se algum dia será possível afirmar que chegamos a um conjunto definitivo de verdades doutrinárias”[27].
            Mas, é precisamente neste período em que a Teologia Bíblica se distancia da Teologia sistemática significativamente mediante o discurso proferido por J.Gabler, conforme já mencionamos. Essa distinção deu-se no dia 30 de Março de 1787 na universidade Altdorf. “Esse ano marcou para a teologia bíblica o início de seu papel de disciplina exclusivamente histórica, totalmente independente da dogmática. ”[28]
3.3 – Do Período do Iluminismo até a Dialética:
            A teologia bíblica sucumbiu as filosofias existentes neste período. Aqui nasce o “método da história das religiões” o qual denomina a Teologia Bíblica de forma marcante neste período. A Teologia Bíblica moderna foi profundamente influenciada pelas perspectivas filosóficas de Hegel (1770-1831)[29], o qual acreditava que o progresso histórico trazia unidade para toda a criação. A história continha a chave para a compreensão de toda a realidade.[30]









REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
  1. ALEXANDER, T. Desmond; ROSNER, Brian S. Novo Dicionário de Teologia Bíblica. Tradução: William Lane, São Paulo: Vida, 2009.
  2. ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reforma – Correntes Históricas, Pressuposições, princípios e Métodos Linguísticos. Ananindeua: Knox Publicações, 2006.
  3. ARRUDA, Sebastião. Teologia Bíbica – Apostila do Seminário Presbiteriano Conservador. São Paulo: 2006.
  4. BARTON, John. Historical-Critical approaches. In: BARTON, John (ed) Biblical Interpretation. New York: Cambridge Press, 1998.
  5. CARSON, Donald A. Teologia Bíblica ou Teologia Sistemática? – Unidade e Diversidade no Novo Testamento, Tradutor: Carlos Osvaldo Pinto, São Paulo: Vida Nova, 2001.
  6. CHILDS, Brevard. Biblical Theology in Crisis (Filadelfia, 1970).
  7. GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação – Reino, Aliança e o Mediador. Tradução: Denise Maister. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
  8. HASEL, Gehard F. Teologia do Antigo Testamento – Questões Fundamentais no debate Atual. Rio de Janeiro: JUERP, 1987.
  9. KAISER JR, Walter C. O Plano Promessa de Deus – Teologia Bíblica do Antigo e Novo Testamento. Tradução: Gordon Chown; A. G. Mendes. São Paulo: Vida Nova, 2011.
  10. OSBORNE, Grent. 3 Perguntas Cruciais sobre a Bíblia. Tradução: Caio Peres. São Paulo: Vida Nova, 2014.
  11. OSBORNE, Grent. A Espiral Hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, - traducao Daniel de Oliveira, Robinson N. Malkomes, Sueli da Silva Saraiva. São Paulo: Vida Nova, 2009.
  12. RAD. G. Von. Teologia do Antigo Testamento – volumes 1e 2. Tradutor: Francisco Catão. São Paulo: ASTE & Targumim, 2006.
  13. SAYÃO, Luiz. Comentário Rota 66 – Novo Testamento: Manual de Apoio do comentário Bíblico em Áudio. São Paulo: Rádio Trans Mundial, 2010, p.11
  14. VOS, Geehardus. Teologia do Antigo e Novo Testamentos. Tradução: Alberto Almeida de Paula. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.




[1]VOS, Geehardus. Teologia do Antigo e Novo Testamentos. Tradução: Alberto Almeida de Paula. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p.16.
[2] LADD, Georg Eldon. Teologia do Novo Testamento. Tradução: Dagmar Ribas Júnior. São Paulo: Vida Nova, Hagnos,2003, p.38
[3] SAYÃO, Luiz In: CARSON, Donald A. Teologia Bíblica ou Teologia Sistemática? – Unidade e Diversidade no Novo Testamento, Tradutor: Carlos Osvaldo Pinto, São Paulo: Vida Nova, 2001, p. 7
[4] HASEL, Gehard F. Teologia do Antigo Testamento – Questões Fundamentais no debate Atual. Rio de Janeiro: JUERP, 1987, p.13
[5] HASEL, Gehard F. Teologia do Antigo Testamento – Questões Fundamentais no debate Atual. Rio de Janeiro: JUERP, 1987, p.5.
[6] KAISER JR, Walter C. O Plano Promessa de Deus – Teologia Bíblica do Antigo e Novo Testamento. Tradução: Gordon Chown; A. G. Mendes. São Paulo: Vida Nova, 2011,  p.13
[7] CHILDS, Brevard. Biblical Theology in Crisis (Filadelfia, 1970), p. 85 e 91
[8]GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação – Reino, Aliança e o Mediador. Tradução: Denise Maister. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 9 ver a nota 2.
[9] VOS, Geehardus. Teologia do Antigo e Novo Testamentos. Tradução: Alberto Almeida de Paula. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p.16.

[10] OSBORNE, Grent. A Espiral Hermenêutica. São Paulo: Vida Nova, - traducao Daniel de Oliveira, Robinson N. Malkomes, Sueli da Silva Saraiva. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 443
[11] RAD, Gerhard Von. Teologia do Antigo Testamento. Tradução: Francisco Catão. São Paulo: Aste; Targumin, 2006, p.13.
[12] Ollenburger, Martens & Hasel, The Flowering,  56, com acréscimos.
[13] ARRUDA, Sebastião. Teologia Bíbica – Apostila do Seminário Presbiteriano Conservador. São Paulo: 2006, p. 13 [obra não pubicada]
[14] ALEXANDER, T. Desmond; ROSNER, Brian S. Novo Dicionário de Teologia Bíblica. Tradução: William Lane, São Paulo: Vida, 2009, p.15
[15] HASEL, Gehard F. Teologia do Antigo Testamento – Questões Fundamentais no debate Atual. Rio de Janeiro: JUERP, 1987, p.13
[16] SAYÃO, Luiz. Comentário Rota 66 – Novo Testamento: Manual de Apoio do comentário Bíblico em Áudio. São Paulo: Rádio Trans Mundial, 2010, p.11
[17] Ibid, p.12.
[18]HASEL, Gehard F. Teologia do Antigo Testamento – Questões Fundamentais no debate Atual. Rio de Janeiro: JUERP, 1987, p.14
[19] Idem
[20] Idem
[21] Idem
[22] Ibid, p.15
[23] Idem
[24] ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reforma – Correntes Históricas, Pressuposições, princípios e Métodos Linguísticos. Ananindeua: Knox Publicações, 2006, p. 58.
[25] BARTON, John. Historical-Critical approaches. In: BARTON, John (ed) Biblical Interpretation. New York: Cambridge Press, 1998, p. 9.
[26] HASEL, Gehard F. Teologia do Antigo Testamento – Questões Fundamentais no debate Atual. Rio de Janeiro: JUERP, 1987, p.15
[27] OSBORNE, Grent. 3 Perguntas Cruciais sobre a Bíblia. Tradução: Caio Peres. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 118
[28] Ibid, p.16
[29] Apesar de ser possível traçar as origens do movimento moderno da Teologia Bíblica até o discurso de Gabler em Altdorf no ano de 1787, seu desenvolvimento foi grandemente influenciado pela filosofia de Hegel. Ver W.Kümmel, The New History of the Investigation of its Problems (traduzido por S.Gilmour e H.Kee; Nova York: Abingdon, 1972), 98,120,132; E.P.Clowney, Preaching and Biblical Theology (Grand Rapids: Eerdmans,1961),11; Interpreter’s Dictionary of the Bible s.v. “Biblical Criticism, History of”.
[30] Nas palavras de Hegel : “O espírito e o transcorrer de seu desenvolvimento são a verdadeira substância da história”. G.W.F. Hegel, Lectures of the Philosophical of World History (traduzido por H.B. Nisbet; Londres: New York, 1975), p 44.