domingo, 29 de março de 2015

BREVE ENSAIO EXEGÉTICO NO NOVO TESTAMENTO: UM ESTUDO DE CASO EM 1ª João 2.12-14

BREVE ENSAIO EXEGÉTICO NO NOVO TESTAMENTO: UM ESTUDO DE CASO EM 1ª João 2.12-14
Rev. João Ricardo Ferreira de França*
Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome.
 13 Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno.
 14 Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.
 Introdução:
            Sabemos que o apóstolo João escreve as suas cartas com a finalidade de rebater o gnosticismo incipiente promovido pelos falsos mestres[1] nas comunidades cristãs as quais ele escreve as suas cartas. No trecho de abertura desta cara (1.1-4) o autor procura mostrar, em termos gerais, que tenciona ressaltar a temática da encarnação do verbo.[2]
            Vale salientar que carta é marcada por dois objetivos específicos que precisam ser considerados antes de qualquer análise exegética: “O conteúdo desse escrito tem dois objetivos: o combate a heresias cristãs (2.18-27; 4.1-6) e a confirmação dos cristãos aos quais ele se dirige na verdadeira fé e na verdadeira vivência em face da ameaça pela heresia.”[3] Certamente este segundo objetivo permeia o bloco que será alvo de nossa análise exegética.
VS. 12:                                                
Γράφω ὑμῖν, τεκνία, ὅτι ἀφέωνται ὑμῖν αἱ ἁμαρτίαι διὰ τὸ ὄνομα αὐτοῦ.” – o verbo escrever aqui no nosso texto “Γράφω” aponta provavelmente para o documento em curso de sua escrita, o tempo presente usado no verbo parece reforçar essa ideia.
O vocábulo “τεκνία” indica crianças pequenas, aqui o sentido é figurado, e ainda inclui todas as classes de pessoas. John Stott sugere que o apóstolo esteja se referindo a três classes de pessoas “filhinhos, jovens e pais”[4] Stott parece ignorar que no primeiro verso João usa o mesmo termo e o sentido é a todos os crentes, pois, não se refere apenas aos novos convertidos, mas todos os crentes em Cristo.
Calvino indica que este termo grego abarca “uma declaração geral, para que ele não aborda apenas os de tenra idade , mas por crianças pequenas , ele quer dizer homens de todas as idades , como no primeiro verso , e também como nos versos posteriores.” Calvino assegura que diz isso porque as pessoas tomam a palavra Teknia como uma referência as crianças, quando a palavra seria παιδία, mas aqui o apóstolo usa o apalavra τεκνία para se referir tanto a jovens como a idosos, pois, ele se coloca como pai espiritual da igreja.[5]
João informa que escreve estas palavras “porque os vossos pecados estão perdoados”. O uso da conjunção “ὅτι ” aponta para o que ocasionou a escrita de tas palavras. A certeza do perdão dos pecados. O verbo “perdoar” conforme aparece aqui no texto “ἀφέωνται o uso do tempo perfeito indica uma ação contínua[6], vale ressaltar que o tempo perfeito “não é usado para indicar uma ação passada, mas o estado presente e resultante da ação passada”[7].
O Apóstolo escreve porque esses crentes foram perdoados no passado e continuam sendo perdoados, a implicação de uma ação passada, mas com resultados permanentes[8]. Ao que parece João deseja assegurar aos crentes a certeza de sua redenção apontando para a plena certeza do perdão dos pecados obtidos por Cristo na cruz do calvário.
O apóstolo continua agora nos apresentando a causa material para a certeza deste perdão dos pecados: “por causa do seu nome. (1Jo 2:12 ARA)”. A nossa versão traduzir a preposição “διὰ” com o sentido de “por causa de”. Na versão Corrigida o texto foi traduzido como segue: “Filhinhos, escrevo-vos porque, pelo seu nome, vos são perdoados os pecados”.( 1Jo 2.12 ARC) a explicação para esta distinção está na gramática grega. A preposição quando está governando um substantivo no caso genitivo ela terá o sentido “através de” e quando a mesma governa um substantivo no caso acusativo terá o sentido de “por causa de” – o substantivo “ὄνομα” está no caso acusativo. Então, por causa do nome de Cristo e seu sacrifício no calvário aqueles irmãos tem o segurança do perdão dos pecados.
Vs: 13 – “γράφω ὑμῖν, πατέρες, ὅτι ἐγνώκατε τὸν ἀπ᾽ ἀρχῆς. γράφω ὑμῖν, νεανίσκοι, ὅτι νενικήκατε τὸν πονηρόν.
            João se dirige aos pais que no verso anterior estavam incluídos na categoria de “filhinhos”, ele diz: “Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno.  (1Jo 2:13 ARA)”. É necessário entender que João escreve deste modo para individualizar as idades presentes na igreja, ou como alguém já disse que o apóstolo passa a  “enumerar diferentes idades , para que pudesse mostrar que o que ele ensinou era adequado para cada um deles.”[9] Ou seja, João sai do campo geral e vai para o particular, se dirige aos pais com a finalidade de relembrar-lhe que eles conhecem aquele que existe pelo séculos dos séculos.
O verbo conhecer aqui “ἐγνώκατε está no tempo verbal que aponta para a continuidade dos resultados do conhecimento obtido sobre o verbo eterno. Os jovens são descritos como vitoriosos. Na verdade o que João tem dito é que o eles tem dominado o maligno, pois, no grego o verbo “νενικήκατε” tem o sentido de conquistar e não de meramente vencer, a ideia é que eles têm avançado sobre o maligno (πονηρόν). Parece-nos que a perspectiva de João é bem otimista!
Vs. 14:
ἔγραψα ὑμῖν, παιδία, ὅτι ἐγνώκατε τὸν πατέρα. ἔγραψα ὑμῖν, πατέρες, ὅτι ἐγνώκατε τὸν ἀπ᾽ ἀρχῆς. ἔγραψα ὑμῖν, νεανίσκοι, ὅτι ἰσχυροί ἐστε καὶ ὁ λόγος τοῦ θεοῦ ἐν ὑμῖν μένει καὶ νενικήκατε τὸν πονηρόν.
            Neste verso João começa com um aoristo epistolar “ἔγραψα” focalizando na mensagem da presente carta, e novamente se dirige aos filhos e usa a palavra “παιδία” que possuem alguma noção do que está sendo dito, de modo particular, ele diz que os mesmos conhecem “ἐγνώκατε” ao pai “πατέρες”.
            Qual é a razão de João escrever a eles? Porque eles são fortes (ἰσχυροί ἐστε), e a palavra de Deus permanece neles. A expressão “palavra de Deus ” [ὁ λόγος τοῦ θεου] revela-nos que o verbo de Deus é suficiente para garantir a fortaleza espiritual que os jovens precisam. Eles têm a certeza do perdão dos pecados em Cristo e plena fortaleza na fé por causa da Palavra de Deus que habita neles. E como esta palavra permanece a implicação é que eles têm como vencer o maligno.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1.      CALVINO, John. Commentaries on the Catholic Epistles, Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library.
2.      CARSON, D.A.; MOO, Douglas. MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997.
3.      CHAMBERLAIN, William Douglas. Gramática Exegética do Grego Neo-Testamentário. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1989.
4.      KISTEMAER, Simon. Tiago e Epístolas de João – São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006.
5.      MARSHALL, I.HOWARD. Teologia do Novo Testamento – Diversos Testemunhos, Um só Evangelho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007.
6.      STOTT, John R. W. I, II e III João – Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982.
7.      VIELHAUER, Phlipp. História da Literatura Cristã Primitiva – Introdução ao Novo Testamento aos Apócrifos e aos Pais Apostólicos. Santo André, SP: Editora Academia Cristã, 2005.
8.      WALLACE, Daniel B. Gramática Grega – Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009.







* O autor é Ministro da Palavra pela Igreja Presbiteriana do brasil. Formou-se em Teologia no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) Recife – PE. Foi professor de línguas bíblicas (Grego e Hebraico) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) – Recife – PE. Atualmente é pastor na Igreja Presbiteriana de Piripiri – PI.
[1] CARSON, D.A.; MOO, Douglas.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997, p.501.
[2] MARSHALL, I.HOWARD. Teologia do Novo Testamento – Diversos Testemunhos, Um só Evangelho. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007, p.460.
[3] VIELHAUER, Phlipp. História da Literatura Cristã Primitiva – Introdução ao Novo Testamento aos Apócrifos e aos Pais Apostólicos. Santo André, SP: Editora Academia Cristã, 2005, p. 489.
[4] STOTT, John R. W. I, II e III João – Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982, p.83.  Simon Kistemaker partilha da mesma ideia de Stott Cf. KISTEMAER, Simon. Tiago e Epístolas de João – São Paulo: Editora Cultura Cristã, p. 352-358.
[5] CALVINO, John. Commentaries on the Catholic Epistles , Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library,p. 159
[6] STOTT, John R. W. I, II e III João – Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982, p.84.
[7] WALLACE, Daniel B. Gramática Grega – Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009, p. 573.
[8] CHAMBERLAIN, William Douglas. Gramática Exegética do Grego Neo-Testamentário. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1989, p.98.
[9] CALVINO, John. Commentaries on the Catholic Epistles , Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library,p. 160.

quarta-feira, 18 de março de 2015

OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO LITÚRGICA REFORMADA.

 OS SACRAMENTOS NA TRADIÇÃO LITÚRGICA REFORMADA:

Rev. João Ricardo Ferreira de França.*

            A doutrina dos sacramentos da Igreja Presbiteriana está intimamente ligada à concepção calvinista destes mistérios da salvação. “A teologia sacramental do reformador João Calvino encontra-se principalmente nos capítulos XIV a XIX do livro IV da Instituição da Religião Cristã (Institutas) [...]”[1]. Essa tradição calvinista se faz presente nos símbolos de fé de Westminster que são padrões confessionais da Igreja Presbiteriana.
            O que é um sacramento? O Catecismo Maior responde:

Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as mais graças, e os obrigar à obediência; para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.[2]

1 – O BATISMO CRISTÃO:


            O sacramento do Batismo é fundamental na comunidade dos fiéis. Uma vez que ele apresenta a nova perspectiva da vida cristã; pois, este sacramento é “um sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito; da adoção e ressurreição para a vida eterna[3].
            a) Nossa União com Cristo apontada no Batismo:
            O nosso Catecismo tem a definição do batismo como um sinal e selo da aliança para indicar a nossa união com Cristo. Paulo nos ensina isso em Gálatas 3.27 – “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.” – então, no ato do batismo em pleno culto público é uma declaração de Deus para conosco de que pertencemos a Cristo e estamos em íntima comunhão com ele.
            b) O Batismo é um sinal e selo das bênçãos salvadoras:
            Todas as bênçãos salvadoras que carecemos são assinaladas e apontadas como uma realidade no sacramento do batismo – ele aponta para tudo aquilo que Cristo fez tais como a remissão dos pecados (Atos 22.16; Marcos 1.4; Apocalipse 1.5); a regeneração produzida pelo Espírito Santo é simbolizada pelo derramar da água do batismo (João 3.5; Tito 3.5).

            c) O Batismo é o selo da admissão na igreja de Deus:
            O catecismo ainda nos diz que este sacramento serve para que os que são batizados sejam “solenemente admitidos à Igreja visível e entram em um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao Senhor.” (Atos 2.41)
            e) Os Sujeitos do Batismo:
             O batismo cristão deve ser ministrado aos pais bem como aos filhos. O batismo doméstico deve ser praticado na Igreja de Cristo.  O que labora para a prática do batismo infantil é o testemunho claro das Escrituras sobre  a continuação da aliança (Colossenses 2.11-12); assim, como também a evidência bíblica de batismo de famílias inteiras nas Escrituras (Atos 16.15,33-34). “Deveríamos falar em ‘batismo familiar’ em vez de ‘batismo infantil’”[4]

 

2 – A EUCARISTIA.


            A prática litúrgica na igreja integra o conceito da celebração da eucaristia. O sacramento da Santa Ceia do Senhor, como é conhecido, “é o rito basilar de nossa fé”.[5] A Eucaristia é lembrada como a proclamação visível de Deus ao mundo de sua redenção.
            Mas, o que é a Eucaristia ou Ceia do Senhor? O Catecismo Maior de Westminster na pergunta 168 nos responde:
A Ceia do Senhor é um sacramento do Novo Testamento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Jesus Cristo, é anunciada a sua morte; e os que dignamente participam dele, alimentam-se do corpo e do sangue de Cristo para sua nutrição espiritual e crescimento na graça; têm a sua união e comunhão com ele confirmadas; testemunham e renovam a sua gratidão e consagração a Deus e o seu mútuo amor uns para com os outros, como membros do mesmo corpo místico.

            É a refeição da aliança do povo de Deus (Mateus 26.26-28) apontando para o sofrimento de Cristo e a libertação de seu povo.
            a) As concepções eucarísticas sobre a presença real de Cristo:
1. Transubstanciação: A concepção da Igreja Romana de que o pão e o vinho se transformam no corpo de Cristo literalmente.
2. Consubstanciação: A concepção luterana de que Cristo está no pão e vinho, ou sob, ao lado junto com estes elementos.
3.Concepção Memorial: A concepção zuingliana de que a Santa Ceia é um mero memorial no qual não confere benção alguma.
4. A presença real, porém espiritual: É a posição presbiteriana de que Cristo está presente na eucaristia de forma real porém verdadeira e espiritualmente.
            b) A regularidade da Eucaristia no culto público: Quantas vezes devem ocorrer a Eucaristia na celebração pública? Convencionou-se nas nossas igrejas a celebrar a Ceia do Senhor uma vez por mês, geralmente, no primeiro domingo de cada mês. Muitos procuram justificar isso associando o rito pascal, que era celebrado uma vez por ano, como padrão para ser uma vez por mês. E, historicamente sabemos que Zwínglio reduziu a freqüência da celebração da Ceia do Senhor a quatro vezes por ano – e ainda desvinculou a celebração do dia do Senhor.[6]
            Mas, estudando os dados do Novo Testamento sabemos que a Ceia do Senhor era freqüente na vida litúrgica da igreja primitiva. Em Atos 2.42 nos mostra isso de forma muito clara. “A Ceia era, portanto, celebrada regularmente. Diz também a narrativa, como de passagem, que os irmãos de Trôade, no primeiro dia da semana, estavam ‘reunidos como o fim de partir o pão’ (Atos 20.7)”.[7]
            A vida da igreja era litúrgica e sacramental. É notório que estes textos sempre apresentam o vínculo conectivo entre o “dia do senhor” e o “partir do pão”; então, a celebração deve ser feita no domingo e deve ser regular. Na primeira carta de Paulo aos Coríntios ele mostra que a eucaristia era celebrada regularmente na vida da Igreja (1ª Coríntios 10.16; 11.23-31). No capítulo 11.20 o apóstolo mostrar que ao tratar do tema da profanação da refeição pactual ele mensura a ideia que eles normalmente se reúnem para aquilo. Ele usa o negativo “não é a Ceia do Senhor que comeis”, por causa, da prática pecaminosa deles que acabava por profanar o sacramento regularmente.
            No capítulo 11.24 o conceito de memória é introduzido por Paulo seguindo a tradição de Cristo em Lucas 22.19. A palavra grega “ἀνάμνησιν.” [anamnesin] Carrega o  conceito muito amplo é mais que mera lembrança. A ideia que o conceito encerra é de “tornar presente aquilo que recorda”.[8] Podemos dizer que se trata de uma recapitulação da história da redenção que nos fornece certeza da presença verdadeira de Cristo na celebração litúrgica.




































REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS:


1.       ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.
2.       GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola.
3.       KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005.
4.       LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
5.       MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999.




* O Autor é Ministro da  Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Estudou no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) em Recife – PE. Foi professor de línguas bíblicas (Hebraico e Grego) no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB) em Recife – PE. Atualmente é pastor na Primeira Igreja Presbiteriana de Piripiri – Piauí.(www.ipdepiripiri.blogspot.com.br )  É casado e tem um filho.
[1] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.87-88.
[2] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 162.
[3] Catecismo Maior de Westminster resposta à pergunta 165.
[4] LUCAS, Sean Michael . O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.83.
[5] GIRAUDO, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. Tradução: Francisco Taborda.  São Paulo: Edições Loyola, p.7.
[6] KLEIN, Carlos Jeremias. Os Sacramentos na Tradição Reformada. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, p.86.
[7] ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 147.

[8] MAZZAROLO, Isidoro. A Eucaristia: Memorial da Nova Aliança – Continuidade e Rupturas. São Paulo: Editora Paulus, 1999, p.89.

domingo, 1 de março de 2015

OS OFICIANTES DO CULTO.

OS OFICIANTES DO CULTO.

Pr. João Ricardo Ferreira de França.

            Jacque J. Von Allmen  traz uma abordagem muito interessante sobre este tópico, ele coloca-nos frente a uma discussão sobre os oficiantes litúrgicos, apresentando 4 personagens desta ação litúrgica: Deus, os fiéis, os anjos e o mundo.[1] Por questões de brevidade, cumprindo a finalidade deste trabalho, abordaremos apenas a relação de dois oficiantes litúrgicos.

1 – Deus.

            Muitas vezes negligenciamos o conceito revelacional de que Deus é quem ordena a adoração; isto é assegurando na Confissão de Fé de Westminster quando declara: “[...]Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura lhe são devidos todo o culto, todo o serviço e obediência, que ele há por bem requerer deles.”(CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, CAPÍTULO 2, SEÇÃO 2).
            O culto é teocêntrico porque ele centraliza em Deus e é para Deus. Devemos nos lembrar que é a “ordem de Deus que transforma o ato de culto em algo mais do que mero desejo ou anseio. É a sua presença que faz dele algo mais do que simples ilusão. É a sua presença que o redime do perigo da vaidade.”[2]
            O culto é aquilo que Deus requer, que Deus exige em sua Palavra para que ele nutra os seus filhos no seio da igreja. Então, toda adoração, todo louvor devem ser teocêntricos voltados para o ser de Deus. Devemos nos lembrar que o Deus Trino está presente na liturgia da igreja, e é a ele que estamos adorando sempre. Textos bíblicos 1ª Coríntios 12.4-7 apresenta-nos o Deus trino agindo liturgicamente na igreja concedendo os dons necessários à igreja para realização de sua vida litúrgica. O culto cristão é o que é por causa de Deus e não dos homens, é a celebração pactual que Deus reclama de seu povo.

2 – Os Fiéis.


            Para os membros que foram batizados o culto constitui um privilégio e um dever singular. Isto porque eles vivem na nova  realidade, pois, no batismo foram declarados ausentes do mundo e dedicados para Deus. Então, todos aqueles que receberam a insígnia do batismo cristão devem participar do culto. Devem ser oficiantes da ação litúrgica. A Palavra de Deus é muito clara sobre isso ao nos ensinar:
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.” (Atos 2.42-44 ARA).
            Todavia, dentro do principio litúrgico deve-se considerar que existem representantes pactuais. Aqueles que presidem as liturgias devem conduzir o povo a louvar a Deus, Paulo mensura no Novo Testamento esta vocação: “ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.” (Romanos 12.8 ARA). Em termos de oficiante de culto deve haver o presidente (προϊστάμενος) – proistamenos – que conduz o povo à adoração a Deus.
            Os presbíteros [docentes e regentes] são oficiantes litúrgicos Paulo exorta a igreja de Tessalonicenses a terem e alta conta estes oficiantes de culto: “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam;” (1ª Tessalonicenses 5.12 ARA).
            Os membros da comunidade também participam da liturgia.
O ministério litúrgico dos fiéis compõe-se normalmente dos seguintes elementos (que podem ser ampliados em maior ou menor grau): o ouvir respeitoso da Palavra de Deus, a comunhão eucarística, o associar-se às orações por intermédio do amém, a recitação da confissão de fé, a apresentação das oferendas, o canto dos hinos e a participação no que chamamos de manifestações litúrgicas da vida comunitária (Antífonas, sursum corda, saudação, confiteor (o clero, aliás, participa também dessa ‘liturgia’ em que o povo de Deus como um todo se manifesta como povo sacerdotal)[3]

            Os oficiantes litúrgicos  se encontram no dia do Senhor de forma singular. Deus e os fiéis estão presentes no culto; os últimos vão à ação litúrgica para ouvir, cantar e prestar louvores a Deus; o senhor nosso Deus se faz presente como galardoador dos que o buscam na adoração.



[1] ALLMEN, J.J. Von. O Culto Cristão Teologia e Prática. Tradução: Dírson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2006, p. 183-211
[2] Idem, p.183.
[3] Idem, p.192-193.